Numa demonstração explícita de insubordinação ao governo de Dilma Roussef, eleita democraticamente pela maioria do povo brasileiro, alguns militares saudosos dos anos de chumbo, preparam uma festa para comemorar o golpe de 31 de março de 1964, que eles chamam de “revolução”, embora críticos mais sagazes considerem que a denominação ideal seria “Redentora”. O Clube Militar é quem está organizando e já começou a distribuir os convites com a exigência de traje esporte fino, com data para o dia 29 de março.
Há alguns dias, no mesmo clube, ocorreu um debate com o tema: “A democracia ameaçada: restrições à liberdade de expressão” com a participação de um editorialista do Globo, Merval Pereira e o blogueiro oficial da revista Veja, Reinaldo Azevedo (blerarrgh!! Perdão leitores), onde foram ditas toneladas de baboseiras com direito a aplausos de 400 militares da ativa e da reserva.
Mas isso não vem ao caso. Existem, na maioria, militares que reconhecem o estado de direito e que já manifestaram seu descontentamento com os saudosos da “Redentora”, num documento que mostra o que se acha inscrito nos estatutos militares: “Exercer com autoridade, eficiência e probidade as funções que lhes couberem em decorrência do cargo; respeitar a dignidade da pessoa humana; ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos subordinados”.
Isso já basta para acalmar os ânimos dos que pretendem o retorno da Ditadura Militar que assolou o país nos anos de chumbo. Afinal, respeitar a dignidade humana é tudo o que eles não fizeram.